Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ao mais nobre poeta.

Não sou eu a musa homérica de seus versos, tampouco a inspiração das águas do parnaso. Não abriguei teus amores contidos em cada vírgula dos teus rascunhos, nem catei flores para o fim de um romance. Teu nome nunca esteve dentre minhas orações, quiçá para fazer valer o desejo de que você, caro poeta, não careça de influências para buscar a harmonia dos sentires, das palavras e dos versos de suas poesias.
Por amor não escreva, nem escreva sobre amor. Na prosa, ouse de desafios gramaticais, fale de política, história, filosofia ou religião, mas nunca mais de amor, para evitar buscar sua presença entre os destroços da minha ausência. Nas entrelinhas sobrou carinho, mas como dois poetas, faremos valer as palavras, meramente escritas e ignoremos os contextos.
Estou encarnada de noites frias e tediosas que não são ressarcidas por suas poesias. Delas, sobraram papéis sem importância que para cada rasgo, um fim. O texto vai morrendo e junto dele, o significado, e meu poeta, não há como costurar as palavras, antes perdidas. Estas, anteriormente, vagando por nossos laços e rodando nossas emoções. Ao final, falidas. Houve insistência, mas não recepção.

Não sei se é fluxo do erro ou erro do fluxo, mas com carência e afeto, deixo aqui o meu pedido solenemente inquieto.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. O amor me foi fanal etério. Inexprimível. Inalcançável. Com brilhos intermitentes me dispersou no mar caliginoso. Deixou-me à deriva. Levou-me o remo.
    O que me sobra são bons versos, ou talvez ruins sob um mal julgamento. Tudo posso perder, mas que nunca sejam estas páginas. Morro eu, não elas.
    A musa homérica sucumbiu em meus braços mas respira indelével, vivás, em cada um dos destes versos. Lhe catarei flores, dores, doces, quem sabe amores para os quais servirá como mais belo adorno. Meu lume.
    Amo, sim, através de cada vírgula, cada linha, cada traço, cada extirpe de pulsação arredia que me é do peito febril rasgado.
    Talvez me reste o pôr-do-sol. Talvez o delírio. Talvez apenas o frio voraz. No passo do agora, tudo o que me resta é o fluxo deste mar, os cintilares sob o céu mais estrelado, e o pairar daquele algo etéreo que me envolve em seu acalanto, desaparecendo no ar. Voando. Sem saber voltar pra casa. Fazendo casa em qualquer lugar depois as perdendo ou abandonando. Vazias. Em posse somente de lânguidos ecos de reverberação eterna.

    Deixo aqui meu solene pedido: Sou eu quem vai bater. Quando o fizer, por favor, deixe-me entrar novamente.

    Ass.: Poeta

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