Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

domingo, 23 de outubro de 2011

Nem mil passos largos.

Nem mil passos largos fariam aquele garoto chegar em seu destino, um destino tão invejado e sonhado durante anos. O garoto tanto percorreu que se espantou ao perceber os altos contrastes da confusão que fez. 'Não perca o ânimo, não dê a volta', gritava a cada passo dado, mas sua voz foi perdendo fôlego e ânimo. Parou de correr.
Novos sentimentos preencheram aquele menino, sem fé e mapa, não sabia para onde ir. Onde, pois nem mais um passo será dado, sem mais movimentos. Sem mais colocações, sem 'a', sem "ah" ou sem "há". Perdeu-se do vento e nem mais sabia contar no relógio o tempo perdido com suas alucinações. Tempo este que o castigou, pois só destruiu o menino de lamúrias ao saber que sua busca havia limites, limite de tempo. Ingênuo e infantil, não sabia sonhar sonhos de gente grande, que o mundo não pára de girar para ele correr a fim de alimentar suas loucuras, ou pensamentos. O real motivo de tanto esforço ainda é um mistério. E o tempo passa. Passa. E passou.
Sentou-se em algum lugar e perdeu o ânimo. Não há mais milhas ou kilômetros, pois suas pegadas já foram apagadas. Nem mil passos largos o fariam voltar à vida, com sonhos e emoções, pois mil passos largos já foram dados; para trás. E caiu. Caiu do penhasco e não há mais volta. Nem se desse novos mil passos largos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário