Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um simples pedido de desculpas a uma simples pedra.

Cresci em meio a putridão, cujo odor perfurou meus sentidos, até que me comportei como tal, chutei uma pedra preciosa no caminho. Aquelas tão pequenas que brilham de longe, que o sol não deixa escapar e tinge sua beleza de luz. Nem deu tempo de dizer desculpa ou obrigada, a minha pedra preciosa foi para bem longe, onde eu não consiga enxergar. Seu brilho não ofuscou mais meus olhos, ela deve ter caído em um bueiro, ou eu devo ter ficado cega demais sem poder apreciar sua beleza. Sem minha pedra, vi-me com a vida sendo tomada pela sorte. Ou pelo azar; sorte foi ter encontrado a minha pedrinha em uma encruzilhada, terei sorte em achá-la em meio a multidão? Tão ferida e sem brilho.
Minha rigidez desfez-se ao encontrar-te; que paradoxo, foi a mesma rigidez que a chutou. Chutei sem querer, por esses caminhos molhados e imundos, cheios de lama. Cadê o seu brilho para me mostrar que lá estava você? Queria tanto protegê-la da chuva, mas sofreu. Sofreu pela tempestade e pela sujeira que caminhava pelas ruas. Chutei sem intenção, mas a dor que ficou, minha querida pedra preciosa, é como consequência. Sofro como você, por ter que carregar comigo a distração que causou dor a algo tão sensível e precioso, mas a minha dor é interna, daquelas rachaduras na parede do corpo, que os órgãos vão tocando ao trabalhar e mobiliza todo o resto. Minha pedrinha, olha como sua cicatriz ficou grande, tão grande que ninguém poderá consertar.
E aqui fico eu, com meu arrependimento e o pedido de desculpas entalado na garganta. Se puder um dia mover-se, venha. Carrego comigo uma cruz vermelha, irei enfaixá-la e ninguém vai notar. O valor continuará sendo alto... Pelo menos para mim. E não precisa ser para mais ninguém.

4 comentários:

  1. que musica toca aqui? é maravilhosa!
    Ah, você tem uma escrita maravilhoa. Quase nunca comento aqui, mas sempre estou lendo.

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  2. Olá Gabriela, fico realmente feliz em ter gostado da música, tenho muito cuidado em escolhê-la e é a primeira vez que alguém toca nelas. O playlist é esse: Olafur Arnalds - Raein; To claire from Sony - Let There Be Light (esta, se quiser baixar, tem um vídeo no youtube chamado "Tô claire from Sony" em que na descrição tem as músicas para download e ela está entre essas); Olafur Arnalds - Fok; Sigur Rós - allalright; Sigur Rós - Hoppipolla; Sigur Rós - Glósóli. Espero que goste das músicas. Obrigada pelo comentário.

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  3. Quem nunca se descuidou com algo precioso? Temos que aprender a valorizar antes da perda definitiva...
    Abraço

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  4. A perda é um teste. Um teste para o póstumo pedido de perdão.

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