Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Compasso

O compasso que sai de tua boca, machuca-me os ouvidos. Sai desse mundo, vem pra mim. Sai do mundo que não lhe pertence. Saia da melancolia, das injúrias e fuja dos calos. O fogo que arde em sua pele é tatuagem da dor, a dor de quem vive e não se descobre. Alguém que se descobre e não pode ser quem deseja. Vem cantar comigo, vem dançar comigo, sem compassos estranhos, sem melodias tortas. Sem segredos, sem desculpas. Volta pra mim.
Sai do mundo dos cegos, dos irradiados, da escuridão quente, que arde e pega fogo. Aqui não pode se ouvir os dentes nem as gotas das lágrimas. Vem pra perto de mim, sai da onde os judeus estão, sai da onde os mutilados estão, sai da onde os militares estão. Sai daí e corre pra cá que eu te faço cafuné.
Vem que aqui o salgado é adocicado, aliás, nunca sentirá o sabor do choro. O vermelho é amor, é sangue e fogo, é pau e pedra, é somente um amor.
Meu amor, cuidado com a agulha porque meu compasso é aquele que escreve, que desenha, que logo faz um coração geométrico. Machuca meus dedos, machuca em mim e rasga a alma.

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