Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Um pedido e uma resposta

Pai, sabe quanto tempo peço-lhe por um remédio que cure todas as minhas dores? Muito, muito tempo. Não tem recebido minhas preces? Não pode ser, meu desespero é gritante. Se olha por mim como dizem, claro que saberá quão profundas são as feridas apenas de olhar em meus olhos.
Às vezes sinto andar em corda bamba, não tenho confiança em mim para dar os próximos passos.
É por que meus olhos estão fechados? Por que essa confiança me faz falta? Preciso dela até para caminhar. E a tal liberdade que o senhor tanto me prometeu? Sabe, cheguei a uma conclusão, a liberdade é um fim conseguido através da morte.

Aguardo uma resposta. Com amor, sua filha.


Filha, você tenta entender minha cabeça, mas nenhuma das minhas ações são feitas para que você possa me decifrar. Sou mais inteligente que você. Todas as suas dores são para que você seja alguém crescida, madura e que saiba andar com as próprias pernas, sem que eu precise empurrar com o dedo. Terá sabedoria, humildade e confiança. Ah, principalmente confiança. Quem já passou por tanta coisa e continua em pé colhe de si os frutos da confiança, que ninguém, mesmo que tentem, pode destruir. E filha, a liberdade é divina, são asas que crescem aos poucos, quando eu te tirar do ninho, arriscará vôo aos poucos, sentirá a brisa do vento e o perfume do céu. E se você cair? Você não cairá, pois saberá voar.

Com amor, muito amor, mais amor que imagina e que pode caber no seu coração, seu pai.

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