Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Poeta

O poeta não escreve, transcreve, reproduz. Apenas transforma as dores em descrições, alegrias em anseios, medos em ilusões. Ele é capaz de fazer a mentira virar verdade, basta ter um tempo, um cenário, uma história, a mocinha e o vilão. Nos seus contos, todos são metricamente analisados e acompanhados da rima, rima nunca forçada, sempre certinha, com as melhores palavras. Doces palavras para que chegue no coração fazendo efeito de liderança, sentir e comover.
Dizem por aí que o poeta é uma farsa. Não é uma farsa, já que é preciso sentir para escrever. O poeta sente da sua maneira, sabe que suas palavras atingirão o coração mais triste, por isso se preocupa, usa sempre as melhores expressões, para que no fim, seu leitor consiga sair de sua jaula, levante do chão e encare seus medos. Para isso, cada vírgula precisa ser poderosa.
O poeta é um paradoxo, começa com uma linha de raciocínio movido ao coração. Pensamentos e emoções juntas, para se tornar algo divino, uma inteligente combinação. As letras vão criando entranhas, passando por todo o corpo, sendo discreto e descrito, até achar uma pequena luz tomada por todo desespero e melancolia. Uma luz quase apagada, bem distante, solitária que logo é preenchida com pensamentos de coragem. Essa luz começa a reacender lentamente, quando se dá conta de que para levantar é preciso vontade. Uma luz que se transforma em chama e incendeia todo o corpo, transformando todo doce em força.
E assim renasce, aquele leitor bobo e triste volta à vida. Com a força, ele aprende a andar, fazendo de seu poeta, um herói.

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