Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Morto

- Esse aí morreu de desgosto - Dizia um fazendeiro que passava pelo local observando o tumulto que se aglomerava ali. Todos faziam caretas, alguns se desesperavam, outros choravam, outros nada faziam e a maioria nem sabia o que fazer. Era uma tarde ensolarada, dava pra ver miragens, e lá estava o homem, esticado ao chão quente, morto. Um defunto no meio do campo.
- Esse aí morreu foi de tanto trabalhar - Um outro fazendeiro rebatia. Os homens de lá trabalhavam muito e ganhavam pouco, eram homens com braços fortes, acostumados ao sol - Trabalhava tanto que morreu de desgosto - completava o mesmo fazendeiro.
- Morreu de calor - Um cidadão esticava sua voz com um ar de absurdo, espantado, mais um dos que nada sabia fazer. Estava deslocado e pedia ajuda, mas as pessoas o olhavam tranquilamente dizendo que tudo aquilo era normal.
- Os homens daqui trabalham feito o cão, rapaz. Aquiete-se - Tranquilizava um passante da zona rural. Ele levava os bois até as fazendas e as vendia. O rapaz chorava de medo, nunca havia visto um morto.

- (...) Que nada, morreu foi de cansaço dessa vida.

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