Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Meu eu perdido dança por aí

Peçam-me para parar sem dizer nada. Se eu pausar, sofro.
Se eu continuar, machuco-me. O que fazer?

Peçam-me para prosseguir, sem dizer nada. Se eu parar, arrependo-me.
Se eu lerdar, tropeço. O que fazer?

Peça-me para me aquietar sem dizer nada. Se eu me aquietar, perco.
Se eu me preocupar, meu coração quebra. O que fazer?

Peçam-me para esquecer sem dizer nada. Se eu esquecer, lembro ao acaso.
Se eu insistir, perco a cabeça. O que fazer?


O que fazer? São dois fortes lados que me puxam para o abismo. O sofrimento é consequência para qualquer lado que eu correr e talvez a pergunta certa que devo me fazer seja: "Qual o lado que sofreria menos?". Às vezes quero esquecer o futuro e deixar que tudo se esclareça aos poucos, mas os problemas me corroem insistindo para que eu tome uma decisão, uma solução, uma base para tudo. O pior é o início.
Quero fugir do errado, quero ser certa, mas meu coração clama por amor. As pessoas são irracionais às vezes, criando buracos imensos achando que estão no céu, para que eu não caia jamais. Ninguém conhece meu eu, ninguém conhece o que sinto, ninguém prevê o que sentirei. Ninguém sabe quando choro e como eu choro. Choro baixinho com as palavras, porque sou tão sensível, sofro demais e tenho a necessidade de continuar escrevendo. Escrevendo minha história com contos bobos, com analogias estranhas, impossíveis, mas tudo tem um pouco de mim. Os desabafos são o ápice. O ápice do desespero, onde todos gritam e ofendem os outros. Eu só escrevo mais nessa fase.
Disfarce... Eu adoro disfarçar, assim continuamos ao início, sem saber como sou, o que penso, o que quero, o que sinto, e outros "o's".

Peçam-me para doar meu coração sem dizer nada. Se eu o fizer, o abismo me aguarda.
Se eu o quiser, terei trabalho em colar os pedaços.

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