Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Diagnóstico.

A mesma jovem médica que salvara milhares de vidas todos os anos, assistia sua definhação de mãos atadas e pernas cruzadas, nada podia fazer. Via os mesmos olhos todas as noites que acusavam uma tristeza profunda, com angústias e remorsos. A palavra "perdão" gritava todos os dias no seu interior, mas com o passar do tempo, foi ficando rouca, surda, e sem voz. Mesmo assim continuava gritando. Gritando de dor, por medo, angustiada.
Seus sonhos foram destruídos pateticamente por alguém tão pequeno, que sua defesa não anda mais sozinha, é sensível e cansada. A jovem médica não achava remédios para si, ou nem tentava, tinha medo da luz, por se acostumar com o escuro, com o labirinto, com as
perguntas sem respostas.
Ela não sorria, em sua face não havia nenhuma expressão. Ela cansou; cessou. Achou finalmente a solução, sem falhas, perfeito para si. Algo que a faria dormir, com belos sonhos, sonhos estes que ficarão para sempre em sua memória. Suas angústias morrerão, seus medos morrerão, sua dor morrerá, até a jovem morrerá. Aproveitou então, seu último dia e suspirou feliz, enfim, seu último suspiro.

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