Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Mancha

Ela não continha suas lágrimas. Chorava desesperadamente, de soluçar, de dar pena, digno de sermões. Seu erro... Previsível, claro. Ela estava amando, o maior erro para quem quer desabar em lágrimas.
Lá, era o carinho sem a compreensão, com a razão, versus a mágoa e a culpa. O beijo sem a intenção e as brigas com o coração. Ele tentava a acalmar, mas ela, sem ouvidos para ouvir, não entendia. Seu choro era mais alto do que qualquer nota musical ou tom grave que saía da boca dele. Quanto mais ela chorava, mais ele se irritava, de uma forma especial, obviamente.
Seus soluços tinham cheiro de Martini com limão. O mesmo, se propagou por todo o ambiente. Ele lhe ofereceu um café, ela recusou. Ele sem paciência, a forçou a beber todo o café.
- Por que está fazendo isso comigo? - Ela perguntava, com a voz perdida pelo ar, com o cheiro agora de rum com coca-cola.
- Quero brigar com você estando sóbria e não bêbada.
- Pra...? - Ela tentava perguntar, mas o álcool subia sua cabeça e parava no meio.
- Pra ter certeza de que você me entenderá. - Ele estava firme, forte e seguindo uma só linha de pensamento. O pensamento de fazê-la parar de chorar.
- Lágrimas são valiosas - Continuou - Você não precisa chorar por ele. - Ela parou para pensar, mas fazia careta, pois sua cabeça doía por causa do álcool ao se dar a esse trabalho, .
Soluçou pela última vez. Pigarreou, tossiu e dormiu finalmente, por fim. Ele passou a mão em suas lágrimas e limpou o excesso.


Era só um coração machucado e a razão.

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