Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Monstros

O vento gelado me chama, mostrando o ar frio, vazio, entrando pelo meu corpo devagar e fazendo cosquinha. O vento mostra o vácuo, dentro do meu eu que nada tem. Sorri sem achar graça, sinto o vento mudando o lugar dos meus órgãos e minhas artérias param de levar o sangue. E então, congela.

No alto da sacada, vê-se uma loira, que presencia e ri. Ri de tudo que não tem nada. Ri do dia, estando noite. Ri da lua e se fixa em sua luz, que mostra o brilho. O brilho das almas congeladas. Ri do sangue parado e critica o pobre corpo.
A loira acha graça e se delicia, soprando então, para que o vento seja mais forte.

Eu continuo sorrindo por causa das cócegas, e o vento se transforma em mãos que aplaudem e arranca o nada, como se tivesse arrancado tudo. E os olhos vão se fechando, bem devagar, com graça. A dor é bem fina, e o som retarda sua velocidade para que soe doce, ou para parecer menos agressivo.

Em suas mãos, a loira gargalha com glóbulos nas mãos, ficando ruiva, sentindo o terrível cheiro de ferro e achando a fragrância deliciosa.

Súplicas e súplicas vêm ao final.

Minha alma acorda, renovada, com um novo corpo, um sorriso mal posto. Ainda com o cheio de ferro, a loira dorme, sorrindo, chorando, mas sorrindo. Então caminho, com novos pés, sem sentir dor, apenas cócegas. São monstros do bem, que me iluminam, e mataram meu eu solitário, ruim e pútrido por dentro.
Renovado, meu coração sorri feliz, finalmente. Acreditando em filmes, que é preciso sofrer pra se ter um bom final.

Um comentário:

  1. Visitando e aproveitando para dizer que estou com um novo Blog. Parabéns!

    ResponderExcluir