Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Senhora minha, anjo meu.

A alguns anos atrás, em uma noite tão chuvosa quanto aquele dia, uma senhora me pôs para dormir, dando-me um beijo na bochecha dizendo docemente que os anjos me protegeriam.
Aquela noite se repetia sempre, e por isso, nunca parei para notar a importancia da proteção.
Os anjos protegem com gostos os que acreditam, e consequentemente, estes conseguem dormir tranquilamente, por mais sujos estejam. Para o contrário, eles choram.
Meus sonhos eram como turbulências que me assustava por minutos, sempre duvidei da tal proteção, mas não ligava. Isso tudo, a uns anos atrás.
O sorriso da senhor me confortava todas as noites, fazendo com que eu gostasse daquelas palavras, embora não pesquisasse ao fundo o significado delas.
Um dia, a senhora dormiu. Dormiu e não acordou mais.
Procurava as direções mais curtas possíveis para fugir do sofrimento que existe quando se está sozinho. Deparei-me várias vezes com a parede sem nem ao menos ver, esqueci os buracos, e até mesmo o quanto o sol arde para quem se expõe - mesmo não querendo me expor.
Durante aquele tempo, só o que ecoava em minha mente eram aquelas palavras. Os anjos, a proteção, o beijo, a leveza de sua pele... Até um dia perceber enfim, que os anjos não me deixavam cair jamais, e por mais longe aquela senhora esteja, sempre colocava a mão em minha cabeça, curando o meu nervosismo, a minha ansiedade e o meu desejo de encontrá-la. Os anjos me protegeram, e a minha anja continua a proteger. Senhora minha, anjo meu.

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