Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Deixo

Deixo que meus pés caminhem até a sala mais próxima. Deixo que meu cérebro capte a informação daquele instrumento aos meus olhos. Deixo que minha retina tire uma foto daquele imenso piano. Deixo que essa foto me faça ter vontade de me aproximar. Deixo que sente vagamente e que meus dedos deslizem sobre suas teclas. Deixo que toque uma canção. Deixo que crie um CD em minha vida. Deixo que pela primeira vez, transforme o monótono em poesia, e que possa ver o mar como algo sem fim, e as estrelas como astros do amor.
Deixo que o agudo do piano seja uma aberração delicada e gentil, que seja a parte negra do meu viver. E que minhas cordas vocais ajam em companhia, com leveza, e eu possa recitar um sentido a melodia tocada. Deixo que eu entenda a língua dos anjos, para que possa os acompanhar nessa música de encerramento. Meu encerramento. Meu fim. O fim do começo. O fim do fim. Cantando e tocando, deixo que meus olhos se fechem bem devagar; com calma; com lembranças, e feliz.

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