Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Nostalgia de quem já está no ápice.

Era aquela uma tarde chuvosa, um senhor com o olhar seco, havia chegado naquele grande local, porém vazio, que só se encontrava um piano. Aproximou-se do piano e sorria enquanto brincava com as teclas. Passava docemente sua mão com marcas da idade por cima daquele piano e o som que saía era como uma fase de sua vida, que soava em tom de nostalgia em seus ouvidos.

Tocando e tocando, sentiu uma mão mais leve, tocar algumas teclas, que complementava a música que era tocada. O senhor se emocionou, e sentiu um sincero beijo em sua bochecha. Fechou seus olhos e continuou suas lembranças. Seus amigos que já se foram, até seu tempo de menino, sua felicidade de quando ganhara um cavalo de madeira, ficava horas e horas cavalgando e sonhando com seus próximos aniversários.

Seus amigos também foram lembrados, de todas as saídas e bebidas. Das tragadas às brigas e decepções. Das tristezas e alegrias, são todas lembranças. Hoje, lembranças, que continuam vivas apenas em sua mente, com a memória ativa.

Seus romances brilhava nas memórias daquele senhor, e cada beijo lembrado era um pisque de luz soando docemente das teclas daquele piano, em tom dourado, meio prata, mas brilhante. O senhor fechou os olhos novamente e deixando derramar lágrimas de seus olhos lembrou-se dos desafios da vida, que foram engraçadas no final, das dificuldades ao lidar com pessoas, brigas, confusões, desespero. Mas tudo acompanhado à sorrisos mais para frente, com direito a abraços no final.

A memória de quando era criança e brincava inocentemente com seu cavalo de madeira voltava aos poucos, foi quando se deu conta de que sua imagem criança jamais vai morrer, mesmo que ele se parta, sempre será criança, pois existirá memórias daquele homem em alguém vivo. Parou de tocar o piano, mas com um sorriso, seu eu pequenino continuou a melodia em um tom mais fino e rápido que suas pequenas mãos podem ir, e ao tocar na mão do senhor, ambos caminharam ao som de pianos que continuavam sendo tocados, em um prazeroso passeio, talvez o mais longo, de sua ex-vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário