Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Marionete

Levando-a, ela seguia agarrada a linhas com medo de se perder. Mexia-se sob seu comando, temia os outros por serem grandes e poderem passar por ela sem perceber, machucando-a. Ela é sensível. Suas linhas são sensíveis, seus sentimentos são sensíveis e até mesmo suas peças são sensíveis. Ele a ajudava sempre que podia, contava histórias felizes para ela não chorar com medo, a protegia, ele não temia absolutamente nada e ela se aproveitada disso. Mas se aproveitava de uma forma especial, se sentia segura do lado dele, sentia-se importante, amada, se sentia alguém. Mesmo assim, ele é o autor de todos os medos da menina. Ele fala coisas absurdas para a convencer de que o mundo é um lugar medonho, que as pessoas não possuem sentimentos, são bichos além do racional, que só ligam para si mesmo. Ela se convencia disso, ele adorava pois ela seria sempre dele, ele sempre irá guiá-la, sempre seria o seu herói, o seu anjo. Ela passou a perceber que também era humana, e se ela tinha sentimentos, poderiam existir pessoas com sentimentos também, passou a desconfiar das palavras do garoto que levava suas linhas, tinha medo de que se ela falasse algo, ele a soltava. E se o mundo for verdadeiramente ruim? Como ela irá reagir sozinha? Temia. Sentia-se ingrata, por desconfiar do garoto que lhe salva. De certa forma, seus olhos brilhavam esperançosos, poderia existir pessoas iguais a eles naquele meio, o mundo é muito grande. Mas decepcionava-se com a idéia de que se ela estivesse certa, ele faria parte das pessoas ruins que tanto mencionava, pois a carregava esse tempo todo. Ele só a queria para si, mas esqueceu que poderia protegê-la mesmo deixando-a livre, mesmo cortando suas linhas - desde o princípio, ela nunca precisou de linhas -. Ele era egoísta, não ligava para seus sentimentos, contanto que tivesse ela, literalmente, achava que ela era apenas uma marionete que fazia tudo que ele mandava. Revoltada, um dia, decide cortar ela mesmo suas linhas, decide tirar suas peças e ver que tipo de humana ela pode ser por trás de toda aquela madeira. Se o mundo fosse um lugar ruim, ela ficaria triste por ter o pedido, mas encararia o mundo como ele é. Indignado, ele teme a idéia de perdê-la.
- Por quê? Por que faz isso? Pensei que você gostava de ser protegida, gostava de mim...
Ela, percebeu que realmente ele era egoísta, e enfureceu-se.
- Você está vivo unicamente porque gosto de você.
E as linhas, finalmente, foram jogadas fora.

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