Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Medo, talvez.

A pequena menina resmunga, cantando uma canção de leve. Dá a mão para a sua pelúcia preferida e a fecha, segurando firme. "você não vai me deixar", pensava. Lutando contra o sono, ela finalmente cede e fecha seus grandes olhos castanhos.

A garota acorda de manhã sem nem sequer sorrir, em um quarto fechado ela passa o dia. Não se importa com o calor, só continua agarrada com seu ursinho de pelúcia preferido. Cantava a mesma canção, tinha questão de lembrar dessa música todos os dias. "Você não vai me deixar", pensava.

Menina de aparência frágil e ingênua. Normal para sua idade, falava com seu bichinho e único amigo. Ele a entendia, a escutava, mas não falava. A menina deprimia-se as vezes. "Mas você não vai me deixar", pensava.


Ah, garota. Você é tão forte, mas tão pequena por dentro. Eu realmente não sei quem é. Quando olha para o espelho, quem você vê? Acredito se disser que já mudou tantas vezes que nem mesmo você reconhece. Usa máscaras e não se importa com nada, porém, chora por dentro como uma menininha carente.
Responde a fatos com certeza, mas no fundo indaga-se, tonta e confusa, sem saber o que está falando, sem saber porque está falando, sem saber pra quê está falando. É segura por fora, mas por dentro, bem por dentro, escuta as palavras soarem como manteiga e vê-se com uma pétala de cerejeira que cai ao chão.
Segura forte os seus queridos, com todos os dedos, até a machucar, e tem certeza que serão para sempre seus companheiros, mas bem por dentro, só o que lhe atormentava era a certeza de que ficaria sozinha. Era o medo de estar solitária como era por dentro vivendo a vida de uma pequena menina.
Mas você queria se enganar, você deseja enganar-se. Você pode enganar a pobre menina que vive aí dentro presa e solitária, a si mesmo que vive por fora, grande, forte e determinada, mas os fatos não podem ser enganados.
Eles vão te deixar.

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