Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Limite.

Confusa, com medo, porém armada. Creio eu que os tiros podem cair do céu e me atingir. Confesso que já não quero mais reconstituir meus cacos. A cola está ultrapassada por todas as vezes que tentei colar meus pedaços. Passei por diversos hospitais e em todos eles, os médicos mentiam dizendo que tudo estaria bem. Foram tantas cirurgias em vão...
O pior de tudo foi ouvir que não sentiria dor durante o 'meu conserto'. A pior dor é aquela que insite em machucar. Pior que o martelar da dor, só o martelar das palavras que se repetiam a cada segundo. Fizeram-me dormir por um instante, mas continuei acordada sendo perturbada pelo silêncio, mas com as palavras ecoando em mente "você vai morrer", "você não vai aguentar".
Já quis voltar para casa e nunca mais sair, mas meus pés foram puxados pelo mundo, como se quisessem assistir meu desespero. Corria pelas ruas procurando algum beco para me esconder, para poder chorar em paz, sem precisar tomar cuidado com o som das minhas lamúrias, baixinho, baixinho... Esse medo irá me atormentar eternamente e junto com o medo, a confusão, sem saber para onde ir, o que fazer, porque gostam de tantas dores vindas de mim. Armada por saber que tudo irá acontecer, por saber que dentro de mim mais alguém irá morrer.

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