Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Espinhos; que salvam um coração.

Ela caminhava em meio a espinhos sem temer. Confiante, acreditava passar por ali sem nenhum arranhão. Poderia sentir de leve os espinhos perfurando sua pele, mas com pantufas macias, nada era tão doloroso. Levava seu coração nas mãos, que brilhava. Brilhava tanto que doía o olho.
Apesar disso, o caminho estava escuro, só podia sentir os espinhos e não vê-los. Sentindo, ela estava saindo dali, por isso estava tão confiante. Sua confiança ia levando-a. Ouviu subitamente, algo saindo dos arbustos, tentou apressar o passo, mas se apressasse, poderia se ferir. De inquieta, ficou quieta. Preferiu deixar sua confiança lhe levar mais uma vez. Ficou parada e ali permaneceu por alguns minutos. "Poderia ser um pobre animalzinho perdido", pensou. Percebendo que não era nada assustador, voltou a caminhar. Ao completar o segundo passo sentiu uma mão gelada tocar seus ombros. Brandiu-se.
A mão permaneceu ali e ela ia se acalmando até reconhecer aquele toque. Virou para trás e forçou o olhar. Seus olhos rapidamente pousaram nos pés dele, pois queria saber como ele caminhava no meio dos espinhos. Percebeu que estava ensanguentado. O pânico tomou conta de seu corpo, sua mente, seus olhos... Não sabia o que fazer.
Não esquecia jamais que ainda estava no meio dos espinhos, então não podia se mexer, mas com leveza chutava suas pantufas deixando esvair sua raiva. Seus olhos encheram-se de lágrimas e segundos depois tirou de seus pés o que a deixava segura, entregou ao menino as pantufas. "Grande faca de dois gumes", pensou ela. Ou ela ou ele. Preferiu o salvar, pois o vendo daquele jeito só enfraquecia o brilho de seu coração. Ele recusou as pantufas, mas ela insistiu sob caretas, pois a dor estava forte. Então, ele segurou as pantufas e jogou-as para longe. Ela achou graça. Ele estendeu sua mão, e ela o tocou. Com as mãos entrelaçadas caminhavam juntos pelos espinhos. Ela nem se importava com a dor.
Agora eram dois corações e dois brilhos que aumentavam cada vez mais.

E assim ela acordou com um torto sorriso e imersa de lágrimas. Logo em seguida, voltou a dormir. Lentamente fechou os olhos; para nunca mais acordar.

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