Aqui, lê-se, drama e doçura.

Escrevo meus porquês, sem poréns e sem vírgulas.
Meu mundo é perigoso e opcional.
Sou liberta de correntes.
Vivo.

Deixo ser
Deixo estar
Deixo a vida passar
- Observo enquanto escrevo.
Transformo vivência em palavras
e -
Deixo as palavras invadirem o espaço.

Vendo a vida passar; e escrevendo entre aspas.
(Aqui, lê-se, drama e doçura.)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

À moça. Que queria ser a lua.

Já era de noite, não havia nenhuma iluminação. Ela o esperava, sentada no ponto de ônibus. Só a luz da lua a iluminava. Resmungava furiosa, mas delicada pelo atraso de seu amado. E aquela cena ia se repetindo, mais uma vez.
- Ah, doce lua. Com você me identifico. Fica tão distante, mas com um brilho incrível, porém... Esse brilho não é seu. Engana a todos com sua falsa beleza, faz todos admirarem o que não é seu -. Suspirava, enquanto esperava.
Ia amanhecendo, e nada dele chegar. Alguns passantes pediam para ela não iludir-se, ir embora, pois ele não chegaria. Eles nem sequer conhecem o tal rapaz que a faz enlouquecer, embora, conheçam a moça até seu interior. A moça se mantia esperançosa.
Mais uma noite chegava.
- Ah, doce lua. Suas estrelas vivem ao seu redor, mas são tão pequenas, que mesmo juntas, são incapazes de se compararem a seu brilho.
Sua força de vontade em estar ali esperando era uma mistura de amor e solidão. Muitos achavam que aquela pobre moça, Só estava solitária, que não existia ninguém, que estava enlouquecendo. Carência. Mas ela não ligava. Acreditava, e acreditar para ela era tudo.
- Ah, doce lua. Tenho inveja de ti, pois mesmo com a certeza de algo que não existe, continua intacta. Sozinha, solitária, e com seu brilho encantador.
Ele não existia, nunca se fora, logo, nunca mais voltaria. E ela se mantia a comparar-se com a lua. Ela queria ser a lua.

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